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Cadê o bebê?

É dessa ‘falinha’ da brincadeira do “cadê, achou” que iniciamos esse texto sobre infertilidade. Essa realidade dura que milhares de pessoas passam, mas que não se fala muito sobre.

Diferente de temas como lado B da maternidade, tipos de parto, criação com apego etc, a infertilidade ainda se mantém um tema incômodo e por isso invisível, o que contribui para que quem passa por isso se sinta um tanto sozinho…

“Se eu soubesse que ia demorar tanto, tinha começado a tentar antes”

E quem é que sabe!? Antes de tudo, é fundamental saber que o casal é considerado infértil após não conceber, dentro de um período de um ano de relações sexuais regulares sem contracepção. Depois disso pode ser considerado procurar ajuda médica especializada.

Ainda é muito comum que a mulher carregue consigo a culpa pela infertilidade, que muitas vezes tem sua origem no casal, ou mesmo, “Sem razão aparente” (esse último costuma ser o mais desorganizador da convivência do casal). Com essa informação, o que queremos dizer é que é muito importante que o casal converse, e quem ambos se submetam aos exames disponíveis para tratar do assunto de forma mais colaborativa e real possível. Além disso, é importante saber também que já ter tido filhos não impede o aparecimento da infertilidade.

Infertilidade (assim como outras questões de impacto) não acontecem por “merecimento”, a gente também escuta muito as pessoas se perguntarem “o que eu fiz pra merecer?” e procurarem mil justificativas, como algum aborto provocado no passado, ou terem sido maus filhos para os próprios pais. É preciso que sejamos mais amorosos conosco e com as perguntas que seguem sem resposta.

… Enquanto o futuro não vem, seja em que fase de busca do bebê estiverem, seja no impacto da notícia da infertilidade, da peregrinação rumo à concepção (que traz tanta esperança e decepção), quanto à decisões de quando parar ou seguir em frente na busca ou pensar em outras formas de acesso à parentalidade (como a adoção), é importante se acompanhar de pessoas que consigam acolher sem pressionar e sem julgar nossos processos. Se considerarem o assunto muito privado, podem sempre procurar um terapeuta. Muitas vezes, as próprias clínicas de fertilização podem indicar profissionais bacanas. Mas não fiquemos sozinhos, vamos juntos. Vamos de amor, de Guimarães Rosa que diz: “Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura.”

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