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Baby Blues x Depressão Pós-Parto

Uma depressão pós-parto não tratada pode durar meses e pode se tornar um distúrbio depressivo crônico. Em alguns casos é necessária medicação, além de psicoterapia. Você conhece os sintomas? Sabe diferenciar Baby Blues da Depressão pós-parto? Sabe como lidar com ela? Esse é o tema do texto de hoje, vamos lá?

Você sabia que, de acordo com Ruchii et al (2007), 50 a 80% das novas mães (geralmente nas duas primeiras semanas após o parto), são afetadas pela Baby Blues ou tristeza materna, que também pode colaborar e evoluir
para uma depressão pós – parto? O baby blues ou melancolia do pós-parto é definido por um tipo de depressão
leve, transitória, que ocorre após o nascimento do bebê.(SILVA E PICCININI, 2009).

Diferença entre o Baby Blues e a depressão pós-parto:

A diferença ocorre mais pela intensidade dos sintomas, do que pelo tempo ou duração deles. O Baby Blues não atrapalha o funcionamento da vida da mulher e apesar de estar mais melancólica, ela consegue fazer suas atividades rotineiras, porém apresentando uma confusão de sentimentos decorrentes da maternidade e de suas responsabilidades com o recém-nascido, causando um menor impacto na vida da mãe e na relação dela com o bebê e esse, por ser passageiro e não ter agravante nos sintomas, não precisa de tratamento.
Já na depressão pós-parto, os sintomas costumam causar grande impacto em diversas áreas e precisa de tratamento, com acompanhamento médico e psicológico.
Procure ajuda logo no início, caso apresente com frequência ou maior intensidade 3 ou mais dos seguintes sintomas:

• Humor deprimido na maior parte do dia em quase todos os dias
• Choro fácil e constante
• Redução de interesse e prazer nas atividades
• Mudança significativa no apetite ou mudança inesperada no peso
• Incapacidade de dormir (insônia) ou sonolência excessiva (hipersonia)
• Agitação ou movimentos mais lentos
• Fadiga ou falta de energia
• Sentimentos de inutilidade
• Mudança de humor repentino
• Capacidade reduzida de pensar, concentrar-se ou tomar decisões
• Pensamentos recorrentes de morte ou suicídio.
• Afastamento da família e dos amigos
• Ansiedade grave
• Ataques de pânico
• Sentimento de tristeza ou desespero constante
• Perder o interesse ou não sentir prazer na maioria das atividades cotidianas.
• Vontade súbita e assustadora de prejudicar seus bebês, ou ignorá-los
• Medo súbito de não ter ‘capacidade’ de cuidar do seu bebê.

Diante desses sintomas é imprescindível ter o acompanhamento adequado de um profissional…
De acordo com estudos as causas podem estar associadas a alguns fatores físicos, emocionais ou de estilo de vida.

De acordo com a medicina, após o parto, a mulher sofre várias mudanças físicas, seja no volume de sangue, na pressão arterial, no sistema imunológico e no metabolismo que podem contribuir para o cansaço e para as alterações de humor. Nesse período, a produção de estrogênio e progesterona caem drasticamente e essas mudanças por si só podem contribuir para um quadro de depressão pós-parto. Além disso, os hormônios produzidos pela glândula tireóide, também podem cair bruscamente, potencializando a sensação de tristeza e de cansaço.
O stress, a pressão, a privação do sono, contribuem para que a pessoa tenha dificuldade em lidar com as situações do dia-a-dia, trazendo alterações psicológicas. Geralmente nesse período as mães podem se sentir menos atraentes, sentem que perderam a sua autonomia, enfim, vários fatores
contribuem ativamente para a depressão pós-parto.

Nos homens, a depressão pós-parto pode surgir devido à ansiedade de poder oferecer o melhor para o seu filho (educação, cuidados, saúde) , aumentando a pressão sobre as suas responsabilidades de prover a casa, e a família que está crescendo.(essas causas são mais comuns nos pais, mas também podem ocorrer com as mães).
Muitos fatores podem levar à depressão pós-parto, desde dificuldades de amamentação, ciúmes dos irmãos mais velhos em relação ao bebê, dificuldades financeiras, falta de apoio do parceiro, dificuldades de adaptação do casal à nova fase, enfim, fatores que possam desestabilizar a família, pois a maternidade e a paternidade é rodeada de incertezas, inseguranças e responsabilidades.

TRATAMENTO: Geralmente a Psicoterapia e a orientação de um profissional qualificado ajudam a prevenir e tratar a depressão pós parto e a depressão durante a gravidez. Para melhorar o sucesso do tratamento, é importante que pai e mãe possam fazer parte juntos desse processo, pois o marido não consegue compreender e lidar com os sintomas, além da psicoterapia com o psicólogo, outros especialistas podem auxiliar no diagnóstico e tratamento: Psiquiatra, Obstetra, Ginecologista e o Endocrinologista. Nessa fase o apoio é essencial!!!

Tanto no baby blues quando na depressão pós-parto é muito importante que a mãe tenha uma rede de pessoas próximas que compreendam o momento difícil que ela está passando. A Depressão pós-parto (DPP) pode iniciar até 12 meses após o parto e atinge cerca de 15% das mulheres e é importante saber que ela não atinge apenas a mãe, mas todos os à sua volta, já que afeta a parte física, cognitiva, emocional e comportamental. (ARRAIS; FRAGALLE; MOURÃO, 2014).

Julgar, dizer que é frescura, cobrar ou comparar com outras pessoas não ajuda em nada… A família e o marido devem apenas apoiar e compreender que é uma fase. Devem oferecer ajuda nos cuidados com o bebê, mas sem gerar culpa na mãe, pois ela já tende a se culpar por não conseguir cuidar, amamentar, dar banho, colocar para dormir, e, mesmo que ela consiga fazer, ainda assim percebe-se fazendo tudo errado. Elas precisam de um tempo para se reorganizar e se readaptar à essa nova fase, para ajustar a nova rotina da casa e se estabilizarem física e emocionalmente. Dê o seu apoio!!!

É muito importante a mãe e a família saberem que o bebê nos primeiros 100 dias precisa receber afeto, contato físico, calor humano, carinho, através do toque e do olhar. De acordo com os especialistas, mães muito deprimidas não conseguem ter esse contato com seu bebê e a falta dele pode interferir no sistema emocional do cérebro da criança, e pode trazer consequências quando ela for adulta, seja por apresentar depressão ou problemas psicológicos.

Como vimos, o Baby Blues e a depressão pós- parto possuem diversas causas que podem contribuir para que a doença se agrave…fiquem atentos!!!
Na dúvida procure um profissional qualificado:

*** Esse conteúdo é meramente informativo e não tem a pretensão de servir como um diagnóstico, procure seu médico se identificar esses sintomas de forma insistente e recorrente.

Principais referências:

ARRAIS, A.R., MOURÃO, M.A., FRAGALLE, B. O pré-natal psicológico como programa de prevenção à depressão pós-parto. Saúde Soc.: vol. 23, n. 1, p. 251- 264, 2014. Disponível em < http://www.scielo.br/pdf/sausoc/v23n1/0104-1290-sausoc-23-01-00251.pdf

RUSCHII, G. E. C.; SUN, S. Y.; MATTAR, R.;FILHO, A. C.; ZANDONADE, E.; LIMA, V. J. Aspectos epidemiológicos da depressão pós-parto em amostra brasileira. Rev. psiquiatr., Rio Grande do Sul, v. 29, n. 3, p. 274-280, dez. 2007.

SILVA, M. R.; PICCININI, C. A. Paternidade no contexto da depressão pósparto materna: revisando a literatura. Estud. psicol., v. 14, n. 1, p.5-12, Natal, abr. 2009
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